Avaliação de imóveis

Como funciona a avaliação de imóveis?

Gustavo Leandro
Gustavo Leandro 10 fev 2023 • 14 min de leitura
Como funciona a avaliação de imóveis?

O que é a avaliação de imóveis?

A avaliação de imóveis é o processo técnico que tem como objetivo determinar o valor de um bem imobiliário em uma data específica. Considerando suas características físicas, legais, econômicas e mercadológicas. A avaliação de imóveis é uma análise estruturada que busca determinar o valor mais provável pelo qual o imóvel seria negociado em condições normais de mercado.

Ao contrário de uma estimativa informal, a avaliação técnica se baseia em critérios normativos — no Brasil, principalmente na ABNT NBR 14.653. E pode gerar um laudo formal sempre que for necessária documentação com responsabilidade técnica.

O que é um laudo de avaliação de imóveis?

O laudo de avaliação imobiliária é um documento técnico elaborado por profissional habilitado (engenheiro ou arquiteto). Com responsabilidade técnica registrada, que tem como objetivo determinar o valor de mercado de um imóvel com base em critérios normativos, metodologia científica e análise de mercado.

O laudo de avaliação imobiliária garante que o valor do bem seja realmente o que está sendo informado. Apresenta memória de cálculo, justificativas técnicas e fundamentação que tornam o documento defensável, inclusive em âmbito judicial. Por isso, profissionais do setor utilizam amplamente a avaliação de imóveis em operações de compra e venda, garantias bancárias, revisões de aluguel, inventários, dissoluções societárias e processos judiciais.

Por exemplo, quando um banco financia um apartamento, ele precisa ter certeza do valor de mercado do imóvel que está financiando; caso contrário, corre risco de prejuízo em caso de retomada e leilão.

Quais são os métodos para avaliação de imóveis?

Os métodos que o avaliador de imóveis tem a disposição, são os seguintes:

Método comparativo direto de dados de mercado, método evolutivo, método da renda, método involutivo horizontal ou vertical.

Por ser um trabalho técnico e regido por normas consolidadas, todos os métodos possuem diretrizes a serem seguidas, definidas pela NBR 14.653-2 da ABNT.

A norma NBR 14.653-2 da ABNT apresenta, detalha e organiza as técnicas, cálculos e modelos para a elaboração dos laudos de avaliação.

  • Método comparativo direto de dados de mercado: Esse método avalia o imóvel por meio da comparação com outros imóveis que possuem características semelhantes. Por exemplo, apartamento comparado a apartamento. Segundo as premissas desse método, não é adequado comparar diretamente um apartamento com uma casa, pois as características e o mercado de cada tipo de imóvel são diferentes.
  • Método evolutivo: esse método utiliza a reedição de construções para determinar o valor do imóvel, com base no CUB (Custo Unitário Básico), divulgado mensalmente pelo Sinduscon. Em geral, lança-se mão do método comparativo direto para a avaliação do terreno e o método evolutivo para a avaliação das edificações sobre este terreno. Após, é realizada a somatória dos valores, aplicando também o fator de comercialização da região.
  • Método da renda: O método da renda tem base na capitalização presente da renda líquida, real ou prevista de um determinado imóvel. É preciso definir um período de capitalização e escolher a taxa de desconto a ser aplicada, justificando criteriosamente a sua utilização. Com isso, após realizar os cálculos adequados, obtém-se o valor de venda do imóvel através da capitalização da renda.
  • Método involutivo: O método involutivo tem como principal base o melhor e maior uso do terreno. Sendo assim, utiliza como fonte dos valores o potencial construtivo e de geração de renda de um bem.

Quem pode fazer avaliação de imóveis?

A avaliação de imóveis deve ser realizada por profissional legalmente habilitado, com formação técnica compatível e registro no respectivo conselho de classe.

No Brasil, podem elaborar avaliação imobiliária:

  • Engenheiros (especialmente engenheiros civis e de avaliações) registrados no CREA
  • Arquitetos e urbanistas registrados no CAU

Esses profissionais podem emitir laudo de avaliação com responsabilidade técnica formalizada por meio de ART (Anotação de Responsabilidade Técnica) ou RRT (Registro de Responsabilidade Técnica). Conforme o conselho profissional.

A avaliação técnica deve seguir as diretrizes da ABNT NBR 14.653 (Avaliação de Bens), que estabelece procedimentos, metodologias e níveis de fundamentação.

Por que corretores não estão autorizados a realizar este serviço?

Corretores de imóveis podem fornecer opinião de valor mercadológica. Mas não emitem laudo técnico com base normativa e responsabilidade técnica nos mesmos moldes de engenheiros e arquitetos.

Portanto, um profissional habilitado, com responsabilidade técnica registrada, deve realizar a avaliação sempre que for necessário um documento formal, juridicamente defensável e reconhecido por bancos, pela Justiça ou por órgãos públicos.

O que o laudo de avaliação imobiliária considera?

Profissionais consideram um conjunto de fatores técnicos, legais e mercadológicos que influenciam diretamente o valor de um imóvel em uma data específica.

O avaliador começa analisando as características físicas do imóvel. Incluindo área do terreno e da construção, padrão construtivo, tipologia, idade aparente, estado de conservação e vida útil remanescente. Esses elementos ajudam a entender a qualidade do ativo e sua condição atual.

Se analisa também, os aspectos legais e urbanísticos, como matrícula, regularidade documental, zoneamento, potencial construtivo, restrições administrativas e conformidade com as normas vigentes. Esses fatores podem impactar significativamente o valor e a liquidez do imóvel.

Outro ponto essencial é a localização e o contexto urbano. Analisa-se a infraestrutura da região, a acessibilidade, o perfil socioeconômico, a oferta e demanda, a vocação da área e a dinâmica do mercado para compreender o posicionamento do imóvel dentro do cenário competitivo.

Além disso, o laudo de avaliação imobiliária envolve pesquisa estruturada de mercado, com coleta de dados comparáveis, tratamento técnico das informações e aplicação da metodologia adequada.

O resultado é um valor fundamentado tecnicamente, com memória de cálculo, justificativas e enquadramento normativo, tornando o documento consistente e defensável.

Em quais situações eu posso usar o laudo de avaliação imobiliária?

O laudo de avaliação imobiliária pode ser utilizado sempre que houver necessidade de determinar o valor de um imóvel com segurança técnica e respaldo formal, como algumas das situações citadas, abaixo:

  • Inventários e Partilhas
  • Disputas Patrimoniais e Divórcios
  • Processos Judiciais
  • Desapropriações
  • Garantias Judiciais
  • Planejamento Patrimonial
  • Reavaliações Contábeis

Ou seja, é amplamente utilizado em operações de compra e venda, quando as partes desejam negociar com base em um valor fundamentado e defensável, reduzindo riscos de superavaliação ou subavaliação. Também é comum em locações, especialmente para definição ou revisão de aluguel, garantindo equilíbrio contratual.

Instituições financeiras exigem laudo técnico em operações de crédito com garantia imobiliária, como financiamentos e renegociações. Em contextos societários, o documento é fundamental em integralização de capital social, dissolução de sociedades e apuração de haveres.

No âmbito jurídico, o laudo é utilizado em inventários, partilhas, disputas patrimoniais e processos judiciais que envolvem valor de bens. Além disso, pode ser necessário em desapropriações, garantias judiciais, planejamento patrimonial e reavaliações contábeis.

Em essência, o laudo de avaliação imobiliária é indicado sempre que a decisão envolve patrimônio relevante e exige segurança técnica, transparência e respaldo normativo.

Quais tipos de imóveis eu posso solicitar o laudo de avaliação?

O avaliador pode realizar a avaliação imobiliária em praticamente qualquer tipo de imóvel sempre que houver necessidade de determinar seu valor de maneira técnica e fundamentada.

O avaliador aplica o método para imóveis residenciais, como casas, apartamentos e condomínios horizontais; para avaliação de terrenos. Para avaliação de postos de combustíveis, salas, lojas e prédios corporativos. E para imóveis industriais, como avaliação de galpões logísticos, avaliação de fábricas e centros de distribuição.

Deve-se avaliar imóveis antigos, históricos ou que necessitam de retrofit, considerando suas particularidades construtivas, o potencial de aproveitamento e o posicionamento no mercado.

Qual a diferença entre valor de mercado, valor patrimonial e valor de liquidação?

O valor de mercado representa o preço mais provável pelo qual um avaliador espera que um imóvel seja negociado em uma data específica, entre partes informadas e dispostas, em condições normais de oferta e demanda, sem influências externas. É o conceito mais utilizado em laudos de avaliação imobiliária e reflete a realidade do mercado naquele momento

O valor patrimonial está relacionado ao valor contábil do imóvel dentro de uma empresa ou entidade. Ele pode considerar o custo de aquisição, reavaliações contábeis ou critérios internos de registro no balanço. Nem sempre corresponde ao valor que o imóvel alcançaria em uma venda no mercado, pois sua finalidade é contábil e não necessariamente negocial.

Já o valor de liquidação considera uma situação de venda em prazo reduzido ou sob condição atípica. Como recuperação judicial, falência ou necessidade urgente de capital. Nesses casos, o imóvel tende a ser negociado por um valor inferior ao de mercado, justamente pelo menor poder de negociação do vendedor.

Em resumo, o valor de mercado representa a negociação equilibrada. O valor patrimonial atende a registros e controles contábeis, e o valor de liquidação reflete uma venda em condição acelerada ou forçada. Entender essa diferença é fundamental para aplicar corretamente cada conceito na finalidade adequada do laudo de avaliação imobiliária.

Por que o valor de um imóvel muda ao longo do tempo?

A variação no valor de um imóvel é considerado algo normal, haja vista, que não depende apenas das suas características físicas, mas principalmente das condições econômicas, urbanísticas e mercadológicas que o cercam.

Dinâmico, é a definição do mercado imobiliário. Fatores como taxa de juros, acesso ao crédito, inflação, crescimento econômico e nível de emprego influenciam diretamente o poder de compra e a demanda por imóveis. Quando o crédito está mais acessível, por exemplo, a tendência é de valorização. Em cenários de juros altos ou retração econômica, os valores podem se ajustar.

A dinâmica de oferta e demanda também impacta fortemente. Se há muitos imóveis semelhantes disponíveis na mesma região, o valor tende a se estabilizar ou até cair. Se a oferta é limitada e a procura aumenta, ocorre valorização.

Outro ponto relevante é a evolução urbana. Melhorias em infraestrutura, como novas linhas de metrô, corredores viários, polos comerciais ou hospitais, podem elevar significativamente o valor de uma área. Por outro lado, degradação urbana ou mudanças negativas no entorno podem reduzir a atratividade.

Além disso, o próprio imóvel sofre influência do tempo. Estado de conservação, obsolescência construtiva, necessidade de retrofit e adequação às normas atuais interferem diretamente na percepção de valor.

Por isso, todo laudo de avaliação imobiliária possui uma data de referência. O valor apurado é válido para aquele momento específico, considerando as condições existentes naquele cenário.

A importância da vistoria técnica presencial na avaliação de um imóvel

Vistoria técnica presencial é uma etapa fundamental na avaliação imobiliária, pois é nesse momento que o profissional verifica in loco as reais condições do imóvel.

Nenhuma base de dados, planta antiga ou informação fornecida por terceiros substitui a análise técnica feita diretamente no local.

O avaliador observa, durante a vistoria, o padrão construtivo, o estado de conservação, patologias aparentes, a qualidade dos acabamentos, eventuais ampliações, a adequação ao uso, a funcionalidade dos ambientes e a inserção do imóvel no entorno urbano. Muitas vezes, esses fatores não estão descritos na matrícula ou não aparecem em registros formais, mas impactam diretamente o valor de mercado.

A vistoria também permite confirmar áreas, confrontações, topografia, acessos e características do entorno, elementos que influenciam a liquidez e a atratividade do imóvel. Além disso, possibilita identificar eventuais inconsistências entre a documentação e a situação física existente.

Do ponto de vista técnico e normativo, a inspeção presencial reforça a consistência do laudo e reduz riscos de distorções no valor apurado. Ela nos agrega credibilidade ao trabalho e aumenta a segurança das partes envolvidas na tomada de decisão.

Em síntese, a vistoria técnica não é apenas uma formalidade — é o que transforma dados em análise concreta e garante que o valor atribuído ao imóvel reflita sua realidade.

Avaliação de imóveis locados: o contrato influencia no valor?

Contrato de locação pode influenciar diretamente no valor do imóvel, especialmente quando a avaliação envolve ativos de renda.

Quando o imóvel está locado, o avaliador considera não apenas suas características físicas, mas também seu potencial de gerar fluxo financeiro. Nesse caso, o valor do imóvel pode ser influenciado pelo aluguel vigente, pelo prazo contratual restante, pelos índices de reajuste, pelas garantias previstas no contrato e pelo perfil do locatário.

Se o aluguel está acima do valor de mercado e o contrato possui prazo longo com bom nível de segurança, isso pode tornar o ativo mais atrativo para investidores, elevando seu valor sob a ótica de renda. Por outro lado, contratos com aluguel defasado, prazo curto ou alto risco de vacância podem reduzir a percepção de valor.

Além disso, cláusulas específicas, como direito de preferência, multas rescisórias, revisional prevista ou condições atípicas, também influenciam a análise técnica. Em avaliações para investimento, é comum a aplicação do método da renda, que considera o fluxo de receitas futuras trazidas a valor presente.

Quais imóveis são considerados geradores de de fluxo financeiro?

Essa situação é mais comum em imóveis com perfil de investimento, ou seja, ativos adquiridos com foco principal na geração de renda por meio de locação.

Ela costuma ocorrer em prédios corporativos e lajes comerciais locadas para empresas, galpões logísticos alugados para operadores ou fábricas, lojas de rua e unidades em shopping centers, agências bancárias, supermercados, farmácias, postos de combustíveis e outros imóveis monousuários locados para grandes redes. Também é frequente em centros médicos, escolas, hospitais, hotéis e empreendimentos do tipo built to suit. Imporante ressaltar que este tipo de negociação é normalmente realizada por fundos imobiliários, devido a complexidade e valores envolvidos.

Nesses casos, o comprador não está adquirindo apenas o imóvel físico, mas um ativo que gera fluxo de caixa. O contrato de locação, o prazo remanescente, o perfil do inquilino e a previsibilidade da renda passam a ser fatores determinantes na formação do valor.

Imóveis residenciais também podem se enquadrar nessa lógica quando fazem parte de carteira de investidores, como prédios de apartamentos destinados exclusivamente à locação ou casas em regiões de alta demanda. No entanto, o impacto contratual costuma ser mais relevante em ativos comerciais e corporativos, onde os contratos são de maior valor e prazo mais longo.

Entre em contato conosco para: Avaliação de postos de gasolina, Avaliação imobiliária de fábricas, Laudo de avaliação de galpão logístico, Laudo de avaliação para imóveis, Laudo de avaliação de terreno, Planta para usucapião em São Paulo ou Regularização de imóveis em São Paulo.

A precisão da engenharia a favor das suas decisões

A precisão da engenharia a favor das suas decisões

Suporte técnico especializado para cada etapa do seu projeto

Faça um orçamento

Inicie a sua demanda de real estate com a Lesath!

Oferecemos o suporte que você precisa com agilidade e expertise.

Fale com nossa equipe